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Am. Central e Caribe
Panamá ganha fama de joia da América Central

Problemas típicos da região, como desigualdade, violência e corrupção, ameaçam o futuro do país latino-americano que mais cresce atualmente

31 de julho de 2011. Por Cristiano Dias - O Estado de S.Paulo

Em julho, Donald Trump inaugurou um hotel de US$ 400 milhões na Cidade do Panamá. Com 70 andares, de frente para o Pacífico, o primeiro investimento do magnata fora dos EUA é o prédio mais alto da América Latina e mais um arranha-céu que sobe na capital do país que mais cresce na região - em média 8% desde 2005.

A "Mini-Manhattan", como os mais afoitos chamam a capital, é o reflexo do sucesso do Panamá. O carro-chefe é o canal, que trouxe US$ 2 bilhões ao país no ano passado - 7,5% do PIB. Construído com capital americano e inaugurado em 1914, foi administrado pelos EUA até 1999, quando foi entregue ao Panamá.

Hoje, 5% do comércio mundial passa pelo istmo. A expansão do canal - um projeto de US$ 5,3 bilhões - estará concluída em 2014 e deve dobrar o volume de carga que passa pelo país. Uma preciosidade que deixou Trump morrendo de inveja. Pouco antes da inauguração do hotel, ele disse que os EUA agiram de maneira "estúpida" ao entregar a soberania do canal - declaração que irritou os panamenhos.

O sucesso do país não se restringe ao canal, mas é apoiado por um setor de serviços que constitui 75% do PIB e inclui a Zona Franca de Colón, a segunda maior do mundo, um vasto sistema financeiro, com 75 bancos, e as seguradoras, que representam 5% da riqueza do Panamá, que fatura alto também com registro de navios. Para fugir de impostos, empresas registram as embarcações no país, que cobra uma taxa - prática que rendeu US$ 360 milhões em 2010.


Desigualdade e violência ainda são problemas

 

31 de julho de 2011 - O Estado de S.Paulo

Apesar do grande avanço econômico, o Panamá ainda tem de superar vícios típicos da América Latina. Kevin Casas-Zamora, ex-vice-presidente da Costa Rica e analista do Brookings Institution, aponta a desigualdade, a criminalidade e a corrupção como três dos maiores problemas enfrentados pelo governo conservador do presidente Ricardo Martinelli.

 

Segundo o Banco Mundial, o Panamá é um dos países mais desiguais da América Latina - no coeficiente de Gini, que mede a desigualdade, os panamenhos estão atrás da Venezuela chavista. A taxa de homicídios dobrou desde 2005, chegando a 22 assassinatos a cada 100 mil habitantes - índice um pouco menor do que o brasileiro, mas o dobro da vizinha Costa Rica.

De acordo com relatórios recentes da Transparência Internacional e do Fórum Econômico Mundial, a corrupção e a ineficiência das instituições são as piores mazelas do Panamá. Outro problema grave é a falta de mão de obra qualificada, que é o retrato de um país que não investiu o suficiente em educação.

Martinelli tentou responder com uma versão panamenha do PAC brasileiro: US$ 13,6 bilhões de investimentos, nos próximos cinco anos, em escolas, hospitais, saneamento básico, estradas e em um metrô para a capital. A desigualdade também deve diminuir em razão de dois programas assistencialistas: um que distribui US$ 100 para maiores de 70 anos e outro de subsídios para estudantes.

Mas Martinelli, que se gaba de ter tirado o país da rota do bolivarianismo, tem demonstrado inquietantes semelhanças com Hugo Chávez. Segundo telegramas diplomáticos americanos divulgados pelo site WikiLeaks, em 2009, o presidente pediu ajuda aos EUA para grampear opositores.

Na ocasião, a embaixada americana expressou preocupação com a possibilidade de Martinelli "ignorar a lei para perseguir objetivos pessoais". O presidente também é acusado de se intrometer em assuntos do Judiciário e de tentar mudar a Constituição para se reeleger.


 
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