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Relações Internacionais
Auxiliar de Kirchner convenceu-a a nacionalizar YPF .

Por Wall Street Journal Americas, 27/04/2012.

O contestado plano Argentina de nacionalizar a maior petrolífera do país deve muito a um quarentão fotogênico, com costeletas à la Elvis Presley, que subiu rapidamente de uma relativa obscuridade para se tornar um dos conselheiros mais influentes da presidente Cristina Kirchner.

Associated Press

Nas crises, 'o estado é a solução', diz Axel Kicillof, dir., que aparece na foto junto a outras autoridades argentinas.

Axel Kicillof, vice-ministro da Economia, pertence a uma classe de políticos argentinos conhecidos por suas ideias intervencionistas, que devem muito às teorias de John Maynard Keynes sobre o papel do governo na regulagem do sistema econômico.

Enquanto Kicillof e seus seguidores apontam outros exemplos de sucesso de empresas estatais de energia, como a Petrobras, os críticos temem que a nacionalização e outras iniciativas para apertar o controle do governo sobre a economia vão assustar os investidores e frear o crescimento.

Na semana passada, ao ser interrogado por várias horas pelo senado argentino sobre a proposta do governo, divulgada este mês, de nacionalizar a YPF SA, Kicillof tentou colocar no fogo a acionista majoritária da petrolífera, a espanhola Repsol YPF, acusando-a de conter a produção para forçar o governo argentino a elevar o teto de preços, em benefício da empresa.

"É uma prática comum do produtor [ou] exportador segurar a produção, o seu tesouro, pois assim eles têm a chance de conseguir um preço mais alto", disse Kicillof aos senadores.

Em outro ponto do seu depoimento, ele acrescentou: "Quando há uma crise, a pior coisa que se pode fazer é dizer que o Estado é o problema. O Estado é a solução. Quando há recessão e crise econômica, o Estado se torna um ator fundamental para revitalizar a demanda e os investimentos".

Muitos críticos de Kicillof dizem que o Estado já tem um papel grande demais na economia argentina. Enquanto o país se recuperava de um colapso econômico, os gastos totais do governo subiram de 22% do produto interno bruto em 2002 para um recorde de 38% em 2011, segundo o Goldman Sachs.

Desde que Kirchner foi reeleita, em outubro, ela impôs novas restrições às transações em moeda estrangeira e apertou os controles sobre a importação. Em seu mandato anterior, ela nacionalizou os fundos de pensão privados e a principal empresa aérea do país.

Mas, à medida que a economia argentina perdia fôlego, o governo ficou sob pressão para conservar as reservas monetárias e reduzir o consumo de combustíveis importados.

Entra em cena Kicillof. Alguns julgam que o economista é brilhante, mas sua juventude e boa aparência têm lhe conquistado igual atenção. O semanário argentino "Noticias" o apelidou de "O Charmoso Sr. Expropriador". A edição em espanhol da revista "Vanity Fair" fez um perfil dele sob a manchete: "Atraente, bom pai, nerd, e o cérebro por trás da expropriação da YPF".

Kirchner já citou Kicillof em seus discursos e repreendeu um colunista por um artigo sobre ele que, segundo ela, "cheirava a anti-semitismo".

Kicillof foi ativo na política estudantil da Universidade de Buenos Aires, de onde saiu com um doutorado em economia. Em 2006, ele ganhou um prêmio do professorado por sua tese sobre a famosa obra de Keynes, "A Teoria Geral do Emprego, Juros e Dinheiro", que mais tarde transformou em livro.

Kicillof passou a lecionar na Universidade de Buenos Aires. Acabou chamando a atenção do filho de Kirchner, Máximo, de 35 anos, que juntou muitos jovens partidários de sua mãe em um grupo político chamado La Cámpora, nome de um famoso político peronista. La Cámpora ajudou a organizar um grande comício marcado para sexta-feira em apoio à tomada da YPF por Kirchner.

Na quinta-feira, o Senado argentino aprovou por esmagadora maioria a proposta de Kirchner de expropriação da YPF. A lei agora segue para a Câmara dos Deputados, onde, segundo as previsões, deve ser aprovada na semana que vem.

O debate sobre a YPF começou depois do início do segundo mandato de Kirchner, em dezembro, quando a Argentina se viu diante de uma importação crescente de combustíveis e a escassez de dólares para pagar a conta.

Alguns consultores de Kirchner de longa data, entre eles o ministro do Planejamento, Julio De Vido, mostraram-se a favor de reduzir os consideráveis subsídios aos combustíveis para os consumidores.

Kicillof propôs uma medida mais drástica para resolver a crise de energia: tomar a YPF e aumentar a produção. Segundo pessoas envolvidas na disputa, Kicillof convenceu Kirchner a nacionalizar a empresa reunindo-se com ela frequentemente durante várias semanas, e apontando para o bem sucedido modelo de propriedade mista da Petrobras.

(Colaborou Taos Turner.)

 
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