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Uruguai
Uruguai pode adotar sistema brasileiro de TV digital, diz Mujica

O Uruguai está disposto a rever a opção pelo sistema europeu de TV digital e analisar a mudança para o sistema adotado no Brasil, baseado na tecnologia japonesa, informou ao Valor o presidente do país, José Mujica, pouco antes de encontrar-se, ontem à noite, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mujica, que veio com uma comitiva de três ministros e uma agenda de assunto econômicos e comerciais, elegeu um tema político como prioridade na conversa com Lula: "Às vezes nem os brasileiros se dão conta que têm o dever político de encabeçar a representação política da América do Sul."

Mujica informou que pretende impulsionar o plano de interligação do território uruguaio por serviço de banda larga de internet, usando a rede de cabos ópticos que já atende a mais da metade da população do país, e que há possibilidade de associação com empresas brasileiras nesse projeto. Está fora de questão, porém, a privatização dos serviços, hoje monopólio da estatal Antel, que o presidente uruguaio já declarou ter intenção de manter. "Temos uma empresa de telecomunicação muito forte, para a dimensão do Uruguai que é estatal, e temos interesse de defendê-la", diz.

Mujica pretende enviar ao Congresso um projeto de Lei de Telecomunicações onde seria incluída a eventual mudança do sistema de TV digital e alterações em decreto editado pelo governo anterior, que abriria a prestação de serviços de dados e voz pela internet. O presidente uruguaio não detalhou as mudanças que planeja, mas deixou clara a intenção de migrar para o sistema de TV Digital "japonês, um pouco abrasileirado". Em fevereiro, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, visitou Mujica em Montevidéu e defendeu as vantagens do sistema adotado no Brasil, que tem código aberto e permite adaptações e uso sem pagamento de royalties, ao contrário dos concorrentes europeu e americano.

"Optamos pela norma europeia, agora estamos averiguando", comentou Mujica. "Em geral, como política nacional procuramos ser fiéis à palavra que comprometemos, mas isso significa também compromissos pelas outras partes", argumenta. Ele diz que foram frustrados os planos da União Europeia de disseminar o padrão europeu pela América Latina, onde além do Brasil, Peru, Chile, Venezuela e Argentina já adotaram o padrão japonês adaptado. "Num piscar de olhos, a América Latina majoritariamente se inclinou pela norma japonesa um pouco abrasileirada, há realidade de mercado", nota o presidente. "Dificilmente a Europa iria estabelecer uma batalha pelo mercado uruguaio que é muito pequeno."

Uruguai e Brasil confirmaram o interesse em investimentos conjuntos para interconexão elétrica e ferroviária, duas prioridades de Mujica, que discutiu com os brasileiros a saída de um impasse, envolvendo o comércio de carne de frango entre os dois países. Os uruguaios, alegando incidência da doença de Newcastle, impedem a entrada da carne fresca de frango brasileira em seu mercado, o que levou os brasileiros a criar barreiras também a vendas uruguaias de carne, leite e animais vivos.

"Reconhecemos que o Brasil, com seu prestígio de grande exportador, precisa no comércio internacional dizer que seus vizinhos não o discriminam por questões sanitárias", comentou Mujica. "E nós temos de cuidar de nossos pequenos produtores, por sensibilidade social. Temos de encontrar um ponto de equilíbrio aí."

Ex-guerrilheiro tupamaro, Mujica adotou em sua passagem pelo Brasil o tom moderado com que vem marcando sua presidência. Defendeu "paciência e firmeza" nas negociações com a Argentina para pôr fim ao bloqueio de pontes na fronteira - mantido pelos argentinos em protesto pela instalação de fábricas de celulose em território uruguaio. E, ao eleger o Brasil como líder nas iniciativas do continente, como a Unasul, defendeu a conciliação entre os governantes de tendências políticas divergentes na região. "Não podemos deixar de lado nem (o presidente da Venezuela, Hugo) Chávez, nem (o do Chile, Sebástian) Piñera, nem (o da Colômbia, Álvaro) Uribe, são todos da família", disse. "

Sergio Leo, de Brasília
Valor Econômico, 30.03.2010

 
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