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Turismo
El Calafate, a Iguaçu das geleiras

O nome desta cidadezinha da Patagônia argentina, localizada 1.400 km ao sul de Bariloche, foi emprestado de uma minúscula frutinha do bosque usada para fazer geleia e aguardente. Para todos os efeitos, porém, El Calafate significa “Glaciar Perito Moreno”, uma das geleiras mais espetaculares do mundo e certamente a mais fácil de visitar. Com 5 km de frente e paredes de 60 metros de altura rente ao lago, Perito Moreno é um portento. Visto do primeiro mirante do parque, ainda no meio da estrada, a impressão é a de um tsunami que se congelou ao tocar o lago. Ou uma avalanche que foi milagrosamente contida antes de nos soterrar.

Rodando mais 15 km pela estrada do parque nacional você chega às passarelas, parecidas com as que se encontram em Foz do Iguaçu. De perto você perde um pouco a dimensão do monstro; não dá pra perceber que esta é apenas uma pontinha do terceiro maior campo de gelo do planeta (extensão total: 16.500 km2). Em compensação, você tem o seu momento Neil Armstrong ao fazer a grande descoberta: o gelo é azul!

Quantos gigas tem o seu cartão de memória? Leve um extra: todos os ângulos são fotografáveis. A cor e a textura inspiram os cortes mais malucos. É um lugar onde quem olha pelo buraquinho da câmera consegue ver mais coisas do que quem está equipado somente com olho nu.

Caminhar pelas passarelas é apenas uma das maneiras de apreciar o gigante. Há também passeios de barco (que incluem outros glaciares das redondezas) e uma aventura imperdível: a caminhada sobre a geleira. Na versão mais compacta, o minitrekking, você anda durante 1h30 por cima do gelo, devagarzinho, equipado com grampões que são amarrados ao seu tênis ou bota. No final é servido uísque 8 anos com gelo de mil anos, colhido na geleira.

Como visitar. El Calafate está a 3 horas de voo de Buenos Aires; há também voos diretos a Bariloche (1h10) e Ushuaia (1h30). O Parque Nacional do Glaciar Perito Moreno fica a 80 km da cidade. A permanência mínima ideal é de três noites. Sugiro que você alugue um carro ao chegar e fique com ele por pelo menos 24 horas. Assim você já embute o táxi do aeroporto ao centro (R$ 40) e fica com o carro para fazer a primeira incursão ao parque por conta própria (entrada: R$ 38), com todo o tempo do mundo para se demorar no primeiro mirante, andar pelas passarelas e esperar aparecer um solzinho.

Nos dias seguintes, já sem carro, volte para fazer os passeios de excursão. No segundo dia faça o cruzeiro Todos los Glaciares, que passa em revista cinco glaciares (Upsala, Spegazzini, Onelli, Mayo e Perito Moreno), navegando pelo Canal dos Icebergs (fernandezcampbell.com; R$ 150). No terceiro dia, feche com o minitrekking (hieloyaventura.com; R$ 195).

Programe-se para viajar entre setembro e abril. No inverno o parque continua aberto e há inclusive mais dias de céu claro – mas muitos passeios, como o minitrekking, deixam de operar.

Onde ficar. Dentro do parque existe um lodge de luxo, o Los Notros, cujas janelas de todos os apartamentos funcionam como mirantes para o glaciar. Os hóspedes têm acesso às passarelas mesmo quando o parque está fechado para visitas – o que é perfeito sobretudo no verão, quando anoitece tardíssimo. Pacotes desde US$ 1.600 por casal, com pensão completa (losnotros.com).

A maioria das opções de hospedagem do centrinho da cidade tem aquele ar cansado de hotel de serra. Prefira os mais novos. Destes, o mais central é o Esplendor Calafate (esplendorelcalafate.com). Os hotéis nos arredores oferecem transporte frequente ao centro. Boas escolhas: o Design Suites, à beira de uma laguna (designsuites.com), o Alto Calafate, no topo de uma colina (altocalafate.com), e o Imago, na saída da cidade (imagohotelspa.com), todos na faixa de US$ 200. Para economizar, fique na pousada Kalken, perto da rodoviária, com diárias entre US$ 80 e US$ 120 (hosteriakalken.com).

Combina com o quê. Deixe El Calafate para o finalzinho do seu tour pela Patagônia – você dificilmente vai ver algo mais impressionante do que o Perito Moreno. É um complemento perfeito para viagens a Bariloche fora de temporada.

Querendo combinar Torres del Paine com El Calafate, venha pelo Chile. Voe a Punta Arenas, continue a Puerto Natales, visite Torres del Paine e, na sequência, entre em um ônibus. São, no total, seis horas de viagem, trafegando por asfalto absolutamente impecável.

Trekkistas sérios devem considerar uma extensão a El Chaltén, que fica a 4 horas de ônibus na direção norte – e onde as caminhadas duras são recompensadas pelas vistas do imponente Monte Fitz Roy.

Ricardo Freire
O Estado de São Paulo, 23.03.2010

 
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