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Turismo
Trilha inca é feita somente com guia contratado

A trilha inca é uma das mais famosas da América Latina. No total, são 43 quilômetros que podem ser percorridos em quatro dias (pode-se começar mais adiante e fazê-la em dois dias).
A vista das nuvens sobre a floresta e os picos nevados costuma valer o esforço.
Tours guiados são obrigatórios e partem o ano todo, exceto em fevereiro, reservado à manutenção. Se puder, evite o período de dezembro e abril, quando as chuvas podem deixar o terreno mais escorregadio.


Circunstância geográfica impressiona os viajantes

Ruínas são cercadas por morros que parecem revestidos de veludo verde

Quem tem disposição e fôlego pode subir até a montanha Wayna Picchu e ter uma vista privilegiada da região

DÉBORA MELO
DO "AGORA"

O micro-ônibus que leva visitantes até Machu Picchu vai subindo em ziguezague e, de repente, já quase chegando ao topo, é possível avistar da janela uma parte das ruínas. Os turistas, ansiosos, começam a ficar inquietos em seus assentos.
Na entrada da antiga cidade inca há uma multidão de guias, que se oferecem para orientar o passeio -o preço depende do tamanho do grupo. Não é difícil encontrar um que fale português, mas a maioria investe no inglês, além do espanhol.
O passeio começa e, de cara, chega-se ao ponto de onde é possível tirar a clássica foto de Machu Picchu, com a montanha Wayna Picchu atrás das ruínas.
Mesmo quem já está aclimatado com a altitude de cerca de 2.400 metros pode sentir o ar fugir dos pulmões. O conjunto impressiona. Uma cidade de arquitetura avançada construída em terreno tão alto, cercada por montanhas que parecem revestidas de veludo verde, com o rio Urubamba aos pés. Não fica dúvida de que se trata de algo especial. Até mesmo os mais incrédulos não resistem quando são incentivados a sentir a energia do lugar.
Quem tem fôlego e disposição também pode subir a montanha Wayna Picchu para ter uma vista privilegiada do local. Para isso, porém, é preciso dormir em Aguas Calientes e acordar antes do amanhecer para chegar a Machu Picchu bem cedo, já que o passeio é bastante concorrido e a visita é limitada a 400 pessoas por dia.
Dormir em Aguas Calientes é a melhor opção de qualquer forma. Chegar cedo às ruínas e apreciar o passeio sem a pressa comum das visitas bate-volta faz toda a diferença. Depois de conhecer todo o parque, dispense o guia e faça uma pausa nos terraços do setor agrícola para contemplar a paisagem.
Só não se esqueça de passar repelente contra insetos. Quem não tem esse cuidado sofre com a coceira das picadas dos pernilongos até uma semana depois. Se for presenteado com um dia de sol, protetor solar e chapéu também são artigos indispensáveis.
O tíquete de ingresso a Machu Picchu, que custa 126 novos sóis, deve ser comprado com antecedência. O micro-ônibus que leva às ruínas custa US$ 15 (ida e volta) e parte de Aguas Calientes quando fica cheio, em média a cada dez minutos.

Cidade perdida fez ressurgir passado inca

Identidade preservada em Machu Picchu levou cultura incaica à condição de contrapeso à tradição colonizadora

Civilização, que início foi idealizada como o contraponto à violência dos europeus, provou do próprio veneno


OSCAR PILAGALLO
ESPECIAL PARA A FOLHA

A descoberta de Machu Picchu, em 1911, coincide com um momento em que o Peru -como o Brasil e outros países do continente-, ao se aproximar do aniversário de um século de independência, está à procura de uma identidade própria.
O inesperado ressurgimento do passado pré-hispânico preservado na "cidade perdida" nos Andes foi a senha para que parte da intelectualidade local alçasse a cultura inca à condição de contrapeso à tradição colonizadora.
Para melhor servir à causa de uma nacionalidade indígena, capaz de reequilibrar a importância das etnias que compõem a mestiçagem peruana, a civilização inca foi idealizada como contraponto da violência dos conquistadores europeus.
Com o tempo, no entanto, uma perspectiva distante desse compromisso ideológico, típico do início do século 20, fixou a interpretação de que, com a derrota de seu império, em 1532, os incas provaram do próprio veneno.
O império inca, afinal, havia sido criado no século anterior à custa de guerras de conquista, com as quais muitos povos do subcontinente foram dominados.
No auge, com 12 milhões de habitantes, o império inca chegou a ser comparado ao romano. Ambos estavam assentados sobre uma complexa máquina administrativa que se estendia aos extremos de um vasto território.
Da mesma maneira, os dois impérios se destacaram pela construção de uma rede de estradas. No caso dos incas, foram traçadas duas grandes vias paralelas -uma ao longo do litoral, outra pelas montanhas- interconectadas por pequenas ramificações, inclusive a que leva a Machu Picchu, num total de mais de 25 mil quilômetros.
O mérito dos incas é ainda maior quando se levam em conta suas desvantagens em comparação aos romanos: eles nunca tiveram dinheiro e não conheceram a escrita.
A ausência de uma moeda não os impediu de recolher impostos. O Estado inca recebia sua parte em trabalhos prestados pelos súditos, fosse na agricultura ou na construção de templos.
Quanto à língua, o quíchua, tinha apenas tradição oral (hoje, falado por grande parte da população, conta também com uma versão escrita). Sem registro, os incas não puderam contar sua história, tarefa que ficou a cargo dos espanhóis.
Para compensar tal deficiência, os incas desenvolveram um sistema de registro de informações conhecido por "quipu" -um feixe de cordas coloridas com sequências de nós que, em códigos não mais acessíveis, armazenavam dados econômicos e até censitários.
Se os incas não contaram sua história, as pedras o fizeram -pelo menos no que diz respeito à arquitetura. Ainda em pé, fortalezas erguidas com enormes blocos multiangulares apenas justapostos revelam uma sofisticada técnica de construção.
A arquitetura, na realidade, assim como a metalurgia e o artesanato, é anterior ao império inca.
O que os incas fizeram, isto sim, foi reconhecer as habilidades dos povos que dominaram, incorporando-as à sua própria cultura.
Da mesma maneira, aliás, que os espanhóis também usaram um dos mais preciosos legados incas -a azeitada estrutura administrativa- para se impor sobre a civilização conquistada.


OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor do livro "A Aventura do Dinheiro" (Publifolha)


Trem histórico corta paisagens andinas

Em trajeto à luz do dia, fica fácil entender por que muita gente se aventura em quatro (ou dois) dias na trilha inca

Viagem saindo de Cusco leva quatro horas, com somente uma opção por dia; saída acontece pela manhã e custa US$ 56

DO "AGORA"

A alternativa mais barata para quem quer chegar de trem a Aguas Calientes é o Expedition, operado pela Peru Rail. O trem, chamado "Backpacker" (mochileiro), ganhou janelas panorâmicas e ficou um pouco mais parecido com os outros, mais caros.
Partindo da estação Poroy, em Cusco, o trajeto dura quatro horas e custa US$ 56. Há apenas uma saída por dia, pela manhã, mas quem precisa de mais flexibilidade pode pegar o trem em Ollantaytambo, no Vale Sagrado (a 78 km de Cusco) -há cinco opções de partida ao dia.
O embarque começa, e aos poucos os vagões se enchem de turistas europeus, alguns argentinos e pouquíssimos brasileiros. A bordo é servido um lanche com bolachinha doce e salgada e uma bebida. A viagem em si é um espetáculo à parte e, por isso, o melhor é fazer o trajeto de dia.
Fica fácil entender por que muita gente se aventura durante quatro dias (ou dois) na trilha inca. O trem desliza seguindo o curso do rio Urubamba entre as montanhas, em um cenário único, com orquídeas e ruínas.
Além do Expedition e do luxuoso Hiram Bingham, a Peru Rail oferece outra opção de trem, o Vistadome, que custa US$ 71 para o trecho Cusco-Aguas Calientes.
O conforto é praticamente o mesmo oferecido pelo Expedition, e a diferença de preço não compensa -exceto pela comida a bordo, mais elaborada. A música ambiente, porém, com "sons da natureza", é dispensável. Os funcionários do trem deixam o constrangimento de lado e montam desfile de moda, com peças caras feitas com lã de "baby alpaca". (DÉBORA MELO)

Viagem em trem é acompanhado de champagne

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O trem Hiram Bingham faz a rota entre Cusco e Machu Picchu. Operado pela Peru Rail, pertence à coleção da Orient-Express.
Antes de partir, um pequeno espetáculo tradicional é acompanhado de champagne e coquetel.
São 8h15. É hora do trem partir. O vagão observatório é o melhor lugar para contemplar a paisagem de montanhas altíssimas entrecortadas pelo Urubamba, sagrado rio do Peru que desemboca no Amazonas.
Ida e volta saem a US$ 588, com traslado de ônibus para as ruínas. O pacote também compreende ingresso para visitar Machu Picchu. (MR)

Hotel localizado a 50 metros das ruínas é o único em Machu Picchu

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA - Lá em cima, na reserva inca tombada pela Unesco, o único hotel está localizado a 50 metros das ruínas. Dentro de um jardim botânico de 32.520 hectares e mais de 300 espécies de orquídeas, o Sanctuary Lodge é integrado à natureza.
Ao redor, plantas nativas e 375 espécies de pássaros identificados. Com sorte, é possível ver o raro e dócil urso andino, vegetariano e manso.
Em 2001, o hotel fundou o Ecosite, centro de treinamento de capacitação agroecológica para jovens das comunidades de Machu Picchu. O programa é dirigido à formação de jovens de 18 a 25 anos em agronomia.

GASTRONOMIA
Parte de legumes, verduras e frutas vem da horta própria. O restante é comprado de agricultores da comunidade.
O sistema de alimentação é "all inclusive". Entre os destaques dos pratos, valem ser provados o carpaccio de vegetais do Vale Sagrado, os profiteroles de queijo de cabra andina, o magret de pato assado ao molho de framboesa e o risoto de quinua com escalopes ao vinho branco.
A adega conta com 106 títulos, com vinhos de rótulos internacionais. (MONICA RICHTER)


Fonte: Folha de S.Paulo, 07/07/11.

 
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