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Tecnologia da Informação
Aos poucos, Chile ergue seu próprio Vale do Silício

O setor da tecnologia de informação (TI) está construindo um novo polo de pesquisa e desenvolvimento para software: Santiago, no Chile. A capital latino-americana tem os atributos que tornaram os mercados emergentes atraentes para empresas que subcontratam, como salários baixos, infraestrutura avançadíssima e incentivos do governo. Apesar de a pequena força de trabalho do Chile poder dificultar sua ascensão, o país também ostenta um plantel superdimensionado de engenheiros com excelente formação e um fuso horário sincronizado com o da Costa Leste dos Estados Unidos.

A Equifax é a mais recente companhia a inaugurar um laboratório de software em Santiago, unindo-se ao JPMorgan Chase e ao Yahoo, entre outros. A companhia, com sede em Atlanta, procurou áreas para implantar um centro de pesquisa onde o custo de operação fosse menor que no Vale do Silício. Depois de avaliar a Argentina, o Brasil e a Irlanda, a Equifax escolheu o Chile, devido à qualidade em geral dos seus engenheiros, diz Sandeep Gupta, vice-presidente para pesquisa e desenvolvimento da companhia.

Os 22 engenheiros chilenos da Equifax estão inventando algoritmos para analisar dados financeiros sobre companhias e consumidores que lhes ajudem a fazer recomendações mais pertinentes sobre tomada e concessão de empréstimos. O trabalho deles complementa o processamento de dados numéricos básicos realizado por mais de 500 programadores e desenvolvedores de software subcontratados para a Equifax na Índia. A companhia espera dobrar a equipe em Santiago até 2012, diz Fernando Gomez, um engenheiro nascido e educado no Chile, que chefia o escritório local.

Outras empresas de grande porte dos Estados Unidos estão contratando engenheiros em Santiago, no mesmo momento em que eliminam postos de trabalho nas suas matrizes. O Citigroup realizou um experimento com 40 empregados em 2002. O banco recentemente expandiu sua força de trabalho local para 125 pessoas. A maioria delas está desenvolvendo novas ferramentas de programas financeiros. A Oracle tem um escritório de TI com 200 pessoas, das quais 75 trabalham em desenvolvimento de software. A companhia pretende dobrar sua equipe no Chile antes de 2011.

O afluxo não está limitado a companhias dos EUA. A indiana Tata Consultancy Services aumentou seu desenvolvimento de aplicativos de software no Chile em mais de 30% nos últimos três anos. Outra companhia da Índia, a Polaris Software Lab, que atua com a Hewlett-Packard (HP) e a Microsoft, entre outras, inaugurou recentemente um centro de desenvolvimento de software em Santiago e espera atingir o número de cem empregados até o fim do ano.

Na média, os salários em TI são ainda menores no Chile em relação ao México, outra opção "nearshore" para engenheiros subcontratados, diz o instituto de pesquisas Gartner. Os salários tendem a ficar nivelados com os oferecidos no Brasil, mas o aluguel é, em média, 40% menor em Santiago na comparação com São Paulo. Além disso, o governo chileno oferece incentivos, incluindo subsídios a empresas de terceirização de TI. O Fórum Econômico Mundial classifica o Chile na mais alta posição entre todos os países latino-americanos no seu Índice Global de Competitividade, mencionando fatores como disponibilidade de cientistas e engenheiros.

Apesar de estar crescendo, o Chile não deverá destronar a Índia ou seus vizinhos latino-americanos da condição de polo de TI. Os setores de serviços de software no Brasil, no México e na Argentina são muito maiores do que o segmento de US$ 820 milhões do Chile, segundo o instituto de pesquisas Business Monitor International. Centros tecnológicos em outros lugares da América Latina expandem-se velozmente devido aos seus contingentes de trabalho muito maiores - a totalidade da força de trabalho do Chile, de 7 milhões de trabalhadores, é menor que as populações metropolitanas de São Paulo ou Buenos Aires.

O número de funcionários, porém, camufla a importância dos laboratórios de pesquisa, que tendem a ser menores, mas pagam salários relativamente mais altos a empregados que se concentram em novos produtos e serviços. "Consideramos o Chile como sendo o neurocirurgião especializado da terceirização de TI", diz Douglas Gattuso, sócio gerente da consultoria de TI Neoris USA, sediada em Miami, que tem um escritório com 125 pessoas em Santiago. "México, Argentina - eles são os clínicos gerais."

Reena Jana, BusinessWeek
Tradução de Robert Bánvölgyi
Valor Econômico, 17.08.2009.

 
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