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Drogas e Laboratório
Governo discute uso de antirretroviral para prevenir contágio pelo HIV

O governo federal está discutindo ampliar a indicação de antirretrovirais no País: além de tratar pacientes, o coquetel seria usado para prevenir o contágio pelo HIV.

 Comitê de especialistas vai avaliar em junho a proposta de antecipar o início da terapia de soropositivos para reduzir o risco de transmissão por via sexual a parceiros sem o vírus. Outra medida analisada é a indicação do coquetel logo após uma pessoa ter se submetido a uma situação de risco de contágio, como relação sexual desprotegida - uma espécie de "pílula do dia seguinte" para a aids.

"Qualquer que seja a decisão, a espinha dorsal da prevenção continuará sendo o uso de camisinha. O coquetel seria uma estratégia complementar", assegura o assessor técnico do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Ronaldo Hallal. Por vários motivos: preservativo é uma medida segura, sem contraindicações, com baixo custo. Antirretrovirais, por sua vez, podem trazer efeitos colaterais, além de o preço ser bastante alto.

O consenso de 2006 já previa o uso de antirretrovirais para evitar a doença após a exposição ao vírus. A estratégia era recomendada, por exemplo, para vítimas de estupro e profissionais de saúde que, por acidente, tivessem tido contato com sangue de soropositivos. Nesses casos, depois da situação de risco, aqueles que procuram atendimento recebem tratamento com antirretrovirais por um período de 28 dias.

"A ideia é discutir novas indicações", conta Hallal. Entre as possibilidades, está a de fornecer o coquetel para pessoas que tiveram relação sexual sem proteção com um parceiro eventual ou com alguém que sabidamente seja soropositivo.

Artur Kalichmann, do Programa de Aids do Estado de São Paulo e integrante do grupo de especialistas do consenso, avalia, porém, que as regras têm de deixar espaço para que integrantes do serviço avaliem caso a caso. Ele reconhece que a indicação do tratamento pós-exposição abre uma brecha para que pessoas relaxem na prevenção e reduzam o uso da camisinha.

Algo que preocupa, principalmente diante dos resultados de uma pesquisa do governo que mostra a tendência de redução do uso de preservativo. "Mas a solução para o problema não é simplesmente negar o recurso àqueles que já se expuseram e, portanto, podem estar contaminados. É uma questão de princípio, tratamento eficaz tem de ser ofertado." Justamente por isso, ele afirma que a indicação dos antirretrovirais tem de ser feita caso a caso. "Não é para qualquer relação desprotegida, é preciso analisar os riscos. Além disso, é claro que, se uma pessoa vier com frequência ao serviço solicitando os medicamentos, isso terá de ser questionado."

Outro risco. Hallal também admite que o risco de redução do uso de camisinha existe. "Tudo isso tem de ser debatido no consenso." Mas o assessor considera que essa possibilidade pode ser menor do que se imagina. "Muitos sabem que antirretrovirais têm efeitos colaterais. Acho difícil que as pessoas deliberadamente descuidem da prevenção." Cerca de 200 mil pessoas no País usam antirretrovirais. Em 2009, 29 mil pacientes foram inscritos no programa para receber os medicamentos.

 


PARA LEMBRAR
Há um mês, faltavam medicamentos

No fim de abril, o Estado informou que a falta de pelo menos quatro medicamentos do coquetel contra a aids, até mesmo de droga utilizada por crianças, levou movimentos sociais a se manifestarem. Além do abacavir e da lamivudina, estavam em falta, segundo dados do Ministério da Saúde, a nevirapina e a associação entre lamivudina e zidovudina (AZT).
O programa nacional de combate à doença é considerado um dos melhores do mundo por diversos organismos internacionais.

PERGUNTAS & RESPOSTAS
O vírus e a doença

1. Como age o HIV?
O vírus atua no interior das principais células do sistema imunológico, os linfócitos. Ao entrar nessa célula, o HIV se integra ao seu código genético para se multiplicar. As células começam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas, provocando enfraquecimento do sistema de defesa do organismo.

2. Quais são as fases da doença?
Depois do contágio, há o período de incubação, estimado entre três e seis semanas. O soropositivo passa então pela fase em que a doença não apresenta nenhum sintoma. Na fase sintomática, há redução grande das células de defesa, como as CD4, que chegam abaixo de 200 unidades por mm³ de sangue - adultos saudáveis têm de 800 a 1,2 mil unidades. Nessa fase, surgem os sintomas típicos da aids, como diarreia, dor de cabeça, febre, vômito, fadiga e perda de peso.

3. Como os remédios antiaids agem?
Eles dificultam a multiplicação do vírus no organismo, preservando as células de defesa do sistema imunológico e adiando o início dos sintomas da doença. O tratamento não elimina o HIV.

4. Por que parte dos especialistas defende a antecipação do tratamento?
Estudos mostram que pacientes tratados de forma adequada, em condições controladas, por determinado período de tempo, podem apresentar níveis quase indetectáveis de vírus no sangue, o que reduziria os riscos de transmissão da doença.

5. E o uso preventivo do medicamento?
Pessoas expostas ao vírus, quando tratadas imediatamente, por período determinado, apresentam menor risco de desenvolver a doença.

Lígia Formenti / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Fonte: OESP 19/05/2010

 
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