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Energia
Argentina pode intervir no deficitário setor elétrico

Valor, 09/05/2012. Por César Felício.

Depois da crise envolvendo a petroleira YPF, que acabou estatizada, o mercado argentino se volta para o setor de distribuição de energia e gás. A intervenção estatal no setor tornou-se um cenário provável após a divulgação de prejuízos grandes das empresas em 2011, atribuídos ao congelamento das tarifas. Ontem, as ações da Edenor, a principal distribuidora de energia elétrica, subiram 22% na Bolsa de Buenos Aires, após terem perdido 64% em um ano.

As empresas pressionam por reajuste de tarifas e usam as negociações salariais como instrumento para apressar uma solução. Nas primeiras reuniões com os eletricitários, rejeitaram qualquer reajuste de salário. O conflito trabalhista pode comprometer a operação do sistema, em caso de greve.

 

A dimensão do prejuízo das empresas em 2011 afasta a expropriação como saída mais provável para o impasse. No caso da Edenor, as perdas quintuplicaram, passando do equivalente a US$ 18,8 milhões a US$ 101,2 milhões. A situação é ainda pior na Edesul, empresa que tem a brasileira Petrobras como acionista minoritária e cujo prejuízo passou de US$ 13,4 milhões para US$ 107,2 milhões.

"No caso da YPF, tínhamos uma empresa acusada de não investir, mas que tinha caixa. Agora, as empresas estão com perdas operacionais provocadas pelo governo", disse Ruben Pasquale, analista da corretora Mayoral.

"A estatização obrigaria o Estado a cobrir tanto o déficit quanto a necessidade de investimento [das empresas], e a situação fiscal levou o governo nos últimos meses à situação oposta, com diminuição de subsídio", comentou o ex-secretário de Energia Jorge Lapeña, atual presidente do Instituto Argentino de Energia General Mosconi.

Segundo levantamento da Associação Argentina de Analistas de Orçamento (Asap), os repasses públicos para a Cammesa, o ente formado pelo governo, pelos grandes consumidores e pelas empresas do setor para a compra de energia, caíram nominalmente de 4,4 bilhões para 3,8 bilhões de pesos entre o primeiro trimestre deste ano e o mesmo período do ano passado, uma redução nominal de 13% em um contexto de inflação extra-oficial em torno de 23% ao ano.

A solução para garantir liquidez às empresas poderia passar pela retomada dos subsídios com uma reestruturação tarifária, que envolveria os dois outros elos da cadeia de energia, geração e transmissão. "O déficit das empresas é crescente, mas há uma distorção na remuneração da geração. Ela é nivelada pelo custo da fonte mais cara, a térmica, e não há um diferencial para as fontes mais baratas, como a hidrelétrica, o que infla a estrutura de gastos dos outros segmentos", disse Lapeña.

O atraso tarifário para o consumidor final é outra ponta da equação. "Não há aumentos gerais desde 2002, salvo reajustes pontuais."

A maior empresa do setor é a Edenor, controlada pela Pampa Energia, dos irmãos Mindlin, exemplo típico de empresa sem tradição no setor, o que cresceu ao longo da era Kirchner. Eram donos de frigoríficos até 2004. "Eles impressionavam pela liquidez que tinham, fazendo diversas aquisições tanto de distribuidoras quanto de geradoras enquanto Néstor Kirchner era vivo", disse o analista de mercado Jorge Fedio.

A segunda empresa do setor é a Edesur, uma sociedade dominada pela italiana Enel, na qual a Petrobras possui 48% do bloco de controle. O premiê da Itália, Mario Monti, escreveu carta à presidente Cristina Kirchner, chamando a atenção para a falta de sustentabilidade da empresa. Outra múlti do do setor, a americana AES, vendeu para um investidor local a distribuidora Edelap, em novembro, após cinco anos de prejuízos.

Ao reestatizar a YPF, o governo argentino também tornou-se participante dos problemas da distribuição de gás. A empresa era acionista minoritária da Metrogas, a maior distribuidora de gás natural, controlada pela British Gas. A Metrogas não registrou aumento de seu prejuízo em 2011, mas está em concordata há dois anos.

 
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