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Uruguai
Ressurreição do futebol uruguaio leva fã à África do Sul

"Já estamos vivendo um sonho. Se chegarmos à semifinal vai ser o paraíso." A frase de Sebastian Slamovitz, 23, resume o sentimento de um país. Sebastian é uruguaio. Ele mora no Brasil há sete anos, mas não abandona a paixão pela Celeste e foi à África do Sul ver de perto Lugano, Forlán, Suárez e companhia tão logo confirmou-se a classificação da sua seleção às oitavas de final da Copa e saiu de férias da faculdade de economia em São Paulo.
Em Port Elizabeth, Sebastian acompanhou debaixo de chuva a vitória sobre a Coreia do Sul por 2 a 1 e, de quebra, assistiu a um feito histórico: 40 anos depois, o Uruguai chegava às quartas de final. Para um país com tradição no futebol e dois títulos mundiais - em 1930 e 1950-, mas com um péssimo retrospecto nas últimas décadas, não é pouco. Desde que terminou em quarto lugar na Copa de 1970, o Uruguai não se classificou para cinco dos últimos nove Mundiais e, quando participou da competição, a melhor colocação que conseguiu foi um 13º lugar em 1974.

E a explicação para essa decadência recente, e também para o sucesso atual na Copa de 2010, Sebastian ouviu do capitão da Celeste, Diego Lugano, zagueiro conhecido da torcida brasileira. É que após o heroico jogo contra o México, Sebastian conseguiu entrar no hotel dos jogadores dizendo-se familiar deles, e lá fez a festa e conversou com alguns de seus ídolos.

"O Lugano me disse: 'Estamos 100 anos atrás de outros países em termos de investimento e infraestrutura no futebol. Só ganhamos pelo gosto e paixão que temos em jogar esse esporte'". É essa paixão que faz a alegria de uruguaios como Sebastian, que nunca viram um time de seu país chegar tão longe. "Estar agora entre as oito melhores seleções do mundo já é um feito histórico."

FUTEBOL, NEGÓCIO E RAÇA CELESTE. Com apenas 3 milhões de habitantes, o Uruguai é o país com a menor população entre os oito classificados às quartas. "Quando vamos bem na Copa não aumenta de modo significativo o consumo de cerveja ou de televisões como acontece, por exemplo, no Brasil. Os patrocinadores não investem tanto, não se movimenta tanto dinheiro assim", afirma Sebastian, que ouviu de Lugano a mesma justificativa para a má fase da Celeste nas últimas décadas.

É que desde que o futebol se tornou um negócio, que atrai patrocinadores milionários e cotas astronômicas de direitos de imagem, países com pouca estrutura e um menor mercado consumidor teriam ficado para trás.

Por isso a atual campanha vem surpreendendo e mobilizando a população uruguaia. A Federação de Futebol do país já anunciou a renovação do contrato do técnico Oscar Tabárez e, segundo o jornal "Ovacion", o governo vai instalar dois telões na principal avenida de Montevidéu para que a população acompanhe o jogo. É a primeira vez que se para a mais importante via pública da capital, a 18 de Julio, para se assistir a um jogo de futebol.

"Esse é o melhor time que a maioria dos uruguaios já viu. Somos conhecidos por montar boas defesas, mas nunca tivemos um ataque tão bom", comenta Sebastian. De fato, Diego Forlán, atacante do Atlético de Madrid que conquistou a Liga UEFA este ano, e Luis Suárez, jovem centroavante do Ajax que já marcou três vezes nesta Copa, vêm chamando a atenção no Mundial. Juntos fizeram cinco dos seis gols uruguaios e dão toque de qualidade à conhecida raça celeste, que tem o xerifão Lugano como maior símbolo. A seleção conta ainda com a liderança de El Loco Abreu, atacante do Botafogo, que, mesmo na reserva, é dos mais experientes do grupo e pode entrar para tentar o cabeceio nos minutos finais, como quando ele fez o gol que classificou o Uruguai para a Copa na repescagem das Eliminatórias.

OTIMISMO E CAUTELA. O time que joga contra Gana nesta sexta-feira, 2, às 15h30 de Brasília, já está escalado. A única mudança no 4-3-3 em que a seleção vem jogando é a entrada de Victorino no lugar do zagueiro titular Godín, que se machucou nas oitavas. "Falei com ele no dia, depois do jogo contra a Coreia do Sul. Ele estava muito bravo com a contusão. É um zagueiro técnico, habilidoso", conta Sebastian.

E para enfrentar a única seleção africana restante na primeira Copa no continente, o Uruguai entra como favorito. Nas casas de aposta, para quem palpita a vitória de Gana paga-se o dobro que para quem investe na Celeste . Mas, se depender dos confiantes - porém cautelosos - uruguaios como Sebastian, não há nada definido. "Com o Uruguai é passo a passo. Cada jogo agora vai ser uma final - é difícil, mas não impossível." Com a passagem de volta para o Brasil marcada para o dia 11 de julho, o dia da final, Sebastian antevê, tímida mas esperançosamente, a tarefa chata de ter que pagar uma multa e estender por mais uns dias a estadia na África do Sul.

Fonte: OESP - Acesso em 01/07/2010

 
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