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Agroindústria
O braço diplomático da Embrapa

Valor, 21/05/2008.

O braço "diplomático" da Embrapa

Em 2007, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) recebeu R$ 205 mil em royalties pela venda de sementes de soja ao Paraguai e outros U$$ 20 mil com variedades de milho embarcadas ao Peru. Esta é uma das faces do programa de expansão da empresa no exterior, iniciado em 1998, que combina captação de conhecimento em países ricos e transferência de tecnologia para nações em desenvolvimento.
O plano também atende à ofensiva diplomática do governo Lula em fóruns internacionais para ganhar apoio à ambição brasileira por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Em sintonia com essa diretriz, a empresa abriu uma unidade na África (em Gana) e mantém acordos com 11 países da região.
Em Caracas, Elias de Freitas Jr. explica que auxiliar as empresas venezuelanas a adquirir sementes e insumos do Brasil é parte do trabalho, mas não é só essa sua tarefa. "Eventualmente, podemos vender sementes e obter alguma receita. Mas este escritório é primordialmente um instrumento de política externa".



Expansão global já beneficia Embrapa
Mauro Zanatta

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deve inaugurar, ainda neste primeiro semestre, sua sétima unidade "virtual" no exterior, dentro de um modelo de cooperação criado para combinar a captação de conhecimento e a prospecção de tendências em países ricos com a transferência de tecnologias de produção e conservação a nações em desenvolvimento.
A nova unidade, a Embrapa América Latina, terá sede na Cidade do Panamá, capital panamenha. E até meados de 2009 a estatal brasileira fechará um acordo para ter uma representação no sul da Ásia. Há negociações com China, Japão, Índia e Coréia.
O projeto da Embrapa Internacional, iniciado em 1998 com um laboratório "virtual" nos Estados Unidos, já começa a transformar os investimentos de US$ 400 mil anuais por pesquisador mantido no exterior em aumento na arrecadação de royalties, reforço da pesquisa em áreas estratégicas e atração de recursos externos para financiamento de estudos no Brasil. Isso sem contar o monitoramento mais fino dos trabalhos nos principais centros de excelência do mundo onde está presente.
Os laboratórios "virtuais" da Embrapa - assim batizados por estarem instalados nas dependências dos centros de excelência - estão em Beltsville (EUA), Montpellier e Avignon (França) e Wageningen (Holanda). Já foi anunciada uma unidade no Reino Unido, provavelmente em Norwich.
Na outra ponta, o projeto da Embrapa tenta auxiliar as nações em desenvolvimento do eixo Sul com a transferência de tecnologias de produção - de alimentos básicos à cana, passando pela fabricação de etanol e pelo treinamento e capacitação de pessoal.
Os focos da Embrapa no exterior, que recebe a visita de duas missões estrangeiras por semana, são estudos em biotecnologia, meio ambiente, mudanças climáticas, segurança alimentar, recursos genéticos, nanotecnologia e manejo florestal. "Temos flexibilidade nesses projetos. Podemos mudar local ou área de atuação de acordo com as demandas", diz o chefe de Relações Internacionais da Embrapa, Elísio Contini.
A Embrapa Internacional atende à ofensiva diplomática do governo Lula em fóruns internacionais para cabalar simpatias e votos à ambição de tornar o país membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em sintonia com essa diretriz política, a empresa abriu uma unidade na África (em Acra, Gana), mantém acordos com 11 países da região e negocia com outros oito.
No norte de Moçambique, a estatal já desenvolve um projeto-piloto de US$ 4,6 milhões na área de conservação e recuperação de solos patrocinado pelo Itamaraty e pelo governo da França. O modelo será replicado pelo continente, assim como a parceria com a construtora Constran para produzir etanol em Gana. Em Angola, auxilia a gigante Odebrecht a produzir milho para ração animal em uma fazenda de 36 mil hectares.
Mas a estratégia da Embrapa também foi desenhada para alavancar negócios com seus produtos, processos e serviços tecnológicos, além de abrir espaços à indústria brasileira, diz Contini. Nessa linha, estão a nova unidade no Panamá e o escritório de Caracas, na Venezuela. O licenciamento de produtos ainda engatinha porque a Embrapa tem dificuldade de rastrear a utilização de suas cultivares. Mas começa a dar resultados.
Em 2007, a empresa recebeu R$ 205 mil em royalties com a venda de sementes de soja ao Paraguai e U$$ 20 mil com variedades de milho embarcadas ao Peru. Também vendeu 2,6 mil sacas de cultivares de trigo aos paraguaios e 40 mil sacas de semente de soja à Venezuela. Com o escritório em Caracas, prevê ajudar na abertura dos cerrados na fronteira com Roraima e chegar a 1 milhão de sacas. "Aí, deixa de ser apenas ajuda humanitária e passa a ser negócio", diz José Roberto Peres, chefe da Embrapa Transferência de Tecnologia. "Foi o que os EUA fizeram conosco".
Atrás dos negócios, devem seguir produtores de máquinas, equipamentos agrícolas e insumos, além de um batalhão de consultores. No Paraguai, há potencial para 2,3 milhões de sacas de soja. Na Bolívia, seriam mais 1 milhão de sacas. E no Peru há um mercado de US$ 500 mil anuais em royalties. As vendas de sementes de forrageiras também promete: as empresas brasileiras vendem US$ 40 milhões anuais na América Latina, mas não pagam royalties porque os materiais são de domínio público. Por isso, a Embrapa criou a braquiária piatã, exportada para Guatemala, Costa Rica, Honduras e República Dominicana. No dendê, fonte para biodiesel, a Embrapa prevê exportar US$ 2,5 milhões/ano até 2010.

 
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