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Venezuela
Obras do eixo Caracas-Teerã patinam

No interior da Venezuela, o vigilante Rafael Cruyases, 42, exibe sua bicicleta adquirida há apenas um mês. Ela é mais pesada do que ele gostaria, e sem marchas, mas foi barata e ele está feliz. Nas barras, o decalque exibe a marca: Atômica.

A bicicleta é uma produção da parceria entre a Venezuela e o Irã. Com seu senso de marketing à toda prova, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, batizou-as assim para ironizar os que veem no eixo Caracas-Teerã uma possível ajuda para que os iranianos consigam avançar em seu programa nuclear.

Cruyases não tem muito a falar sobre a o caráter "atômico" de seu meio de transporte. Ele se queixa é de que a bicicleta não está disponível para "a comunidade", a região de Tinaquillo, a 219 km de Caracas. "Os primeiros deveríamos ser nós", diz ele, um entusiasta
chavista.

É em Tinaquillo que fica a Fábrica Nacional de Bicicletas, a Fanabi, criada em 2007 por Irã e Venezuela.

Na propaganda do governo, fala-se de 100 mil bicicletas produzidas por ano. Mas uma gerente da fábrica, que informou que a reportagem da Folha não poderia entrar para conhecê-la, afirmou que trabalham "a meia máquina" e que por isso não havia venda ao público.

Um funcionário da Fanabi aprofundou o diagnóstico de crise: de 42 funcionários restam 25. Máquinas de montagem estão com problemas e faltam peças, todas vindas do país persa.

"Sou jovem, posso arrumar outro emprego. Mas há gente mais velha com medo", diz W.R., sobre o temor de que a fábrica feche. Segundo W.R, a produção diária média é de 60 bicicletas, ou 20% do que diz o governo.

Chávez fez ontem em Teerã sua nona visita desde que assumiu o poder, e reiterou disposição para investir no setor de hidrocarboneto iraniano à revelia das novas sanções de Washington.

Porém, os problemas com as bicicletas atômicas se repetem em outras vitrines da parceria com seu "irmão ideológico", o presidente Mahmoud Ahmadinejad.

VOO ÀS MOSCAS

Outro exemplo é o voo Caracas-Damasco-Teerã, que estreou em 2007, alarmando os EUA. Críticos citam relatos, por exemplo, de que passageiros não fazem check-in.

Nas duas vezes em que a Folha visitou o embarque, a fila era formada por imigrantes sírios e suas famílias -- uma comunidade de 700 mil pessoas, segundo a Embaixada da Síria em Caracas.

Após meses de intermitências, há duas semanas a estatal venezuelana Conviasa retirou Teerã da programação de destinos. O voo agora termina na Síria.

Não houve explicação oficial, mas ex-funcionários da companhia falam que o voo não se pagava até o Irã -- apenas dois ou três passageiros seguiam viagem.

"Para mim não muda nada. Sempre voei de Lufthansa ou Alitalia", diz o empresário iraniano Thassan Salehi -- que tampouco se irrita com a estigmatização da relação bilateral.

"Quem está na Venezuela sabe que aqui não há preconceito. Há negócios".

Fonte: Folha de SP - Acesso em 20/10/2010

 
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