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Argentina
Argentina nutre altas esperanças por descoberta de petróleo de xisto

Em maio, a companhia de petróleo argentina YPF anunciou ter encontrado 150 milhões de barris de petróleo no campo na Patagônia, e a presidente Cristina Fernández de Kirchner correu à televisão para elogiar a descoberta como algo que daria novo impulso à economia há muito estagnada do país.

“A importância da descoberta vai além do volume”, disse Sebastián Eskenazi, o presidente-executivo da YPF, ao anunciar a descoberta. “O importante é que é algo novo: nova energia, um novo futuro, novas expectativas.”

Apesar de existirem obstáculos significativos, os geólogos dizem que Vaca Muerta é um precursor de uma possível grande expansão na oferta mundial de petróleo nas próximas duas décadas, à medida que a indústria passe a usar técnicas avançadas para extrair o petróleo de xisto e outras rochas betuminosas.

A exploração de campos de xisto semelhantes já começou na Austrália, Canadá, Polônia e França. Companhias de petróleo indianas e chinesas estão investindo em projetos-piloto que, se bem-sucedidos, poderiam transformar seus países em produtores significativos de petróleo, possivelmente mudando a geopolítica da energia e contendo futuros aumentos de preços. Acredita-se que a Ucrânia e a Rússia tenham campos consideráveis de petróleo e gás de xisto, assim como muitos países do Norte da África e do Oriente Médio.

“O potencial é imenso, da ordem de centenas de bilhões de barris de reservas recuperáveis”, disse Michael C. Lynch, presidente da Strategic Energy and Economic Research, uma consultoria, que está atualmente preparando um relatório global sobre o petróleo de xisto.

Campos semelhantes em Dakota do Norte e no Texas já estão começando a produzir petróleo. As técnicas usadas para extraí-lo incluem fratura hidráulica, na qual fluidos em alta pressão são usados para fragmentar as rochas betuminosas até liberarem petróleo, e perfuração horizontal, que permite a extração de finas camadas de xisto cheias de óleo, que ficam ensanduichadas entre camadas de outras rochas.

Especialistas em petróleo alertam que os geólogos apenas começaram a estudar os campos de xisto em grande parte do mundo e, portanto, só podem imaginar seu potencial. Pouco trabalho sísmico foi completado e amostras precisam ser recolhidas de centenas de metros abaixo da superfície para determinar quanto petróleo e gás podem ser extraídos.

Os céticos também dizem que mesmo se petróleo for encontrado em muitos desses campos, parte dele pode não ser possível de ser extraído com a tecnologia atual ou pode ser economicamente inviável de extrair, especialmente se o preço do petróleo cair.

A fratura hidráulica enfrenta forte oposição nos Estados Unidos e na França, por causa da preocupação de que os fluidos utilizados possam poluir o lençol freático. Além disso, o processo exige quantidades imensas de água, um problema, já que muitos campos ficam em regiões secas.

Outra barreira para a ampla exploração de petróleo de xisto é o fato de poucas empresas terem know-how e experiência para realizar o trabalho. Companhias petrolíferas chinesas e indianas estão investindo em joint ventures em xisto nos Estados Unidos e em outros países, em parte para poderem aprender sobre as novas técnicas de exploração e perfuração.

Promessa
A procura por petróleo em pedras betuminosas teve início nos Estados Unidos há cerca de três anos, e o potencial para petróleo foi encontrado do Texas a Michigan, da Califórnia a Ohio. A produção americana de petróleo de xisto passou de um gotejamento a mais de meio milhão de barris por dia desde 2009, com possibilidade de atingir 3 milhões de barris por dia em 2020.

As companhias de petróleo estão especulando que os sucessos iniciais nos Estados Unidos podem ser reproduzidos ao redor do mundo. A exploração de gás de xisto teve início há dois anos na China e na Europa, particularmente na Polônia, e os especialistas dizem que alguns desses campos também têm potencial de petróleo.

“Pode ser algo capaz de mudar o jogo”, disse Fadel Gheit, um diretor administrativo e analista sênior de petróleo da Oppenheimer & Company. “Nós veremos uma maior distribuição das reservas de petróleo, em benefício de todo o mundo. Isso poderia mudar o ranking dos países, com os mais necessitados podendo se tornar autossuficientes. Países como Canadá e Austrália podem potencialmente vir a se tornar a nova Arábia Saudita de energia.”

Esperanças
A Argentina certamente nutre grandes esperanças com o petróleo de xisto da província de Neuquen, no sul da Patagônia. Os 150 milhões de barris recuperáveis de petróleo de xisto encontrados no Vaca Muerta representam um aumento de 8% nas reservas da Argentina, a maior descoberta de petróleo no país desde o final dos anos 80.

Especialistas em petróleo dizem que Vaca Muerta provavelmente é apenas o início para a Argentina, há muito um produtor médio de petróleo. Lynch notou que a YPF explorou apenas 260 quilômetros quadrados dos quase 13 mil quilômetros quadrados de todo o depósito de xisto, e outras companhias de petróleo que trabalham na área ainda não anunciaram suas descobertas.

A Argentina há muito luta para atender suas próprias necessidades de petróleo e gás, e controles de preços e outras políticas econômicas dissuadiram as companhias de petróleo a realizarem grandes investimentos lá. Isso agora está mudando, com a companhia francesa Total e as companhias americanas Apache, Exxon Mobil e EOG Resources realizando grandes investimentos nos campos de xisto argentinos.

“A Argentina certamente tem a chance de se tornar uma exportadora significativa de petróleo”, disse Mark G. Papa, presidente-executivo da EOG, que foi pioneira na exploração de xisto betuminoso nos Estados Unidos e adquiriu recentemente acesso a mais de 40 mil hectares de xisto argentino. “O xisto provará ser um reforço inesperado à oferta mundial de petróleo, que está muito apertada no momento, e podem surgir alguns vencedores inesperados em termos de onde esses recursos estão localizados.”

Pouca experiência
Até o momento, quase toda a exploração de petróleo nos campos de xisto da Argentina e outros lugares tem sido feita com poços verticais tradicionais. Os planos estão apenas começando para a exploração horizontal. Alguns especialistas alertam que o avanço rápido na produção de petróleo de xisto nos Estados Unidos não é garantia de sucesso semelhante no exterior, pelo menos não em curto prazo.

Aubrey K. McClendon, presidente-executivo da Chesapeake Energy, a maior produtora americana de petróleo e gás de xisto, disse que a produção poderá ser limitada pelo pequeno número de empresas com experiência em xisto e os limites ao acesso impostos por alguns países.

“Eu estou confiante de que nos próximos 10 anos, o maior volume de crescimento de petróleo no mundo ocorrerá nos Estados Unidos”, ele disse por e-mail. Mas ele acrescentou: “Eu acredito que há xisto e areia betuminosa em todas as partes do mundo.”

Um dos grandes vencedores potenciais é a China, que tem pelo menos dois projetos-piloto de xisto explorando petróleo e gás. A BP e a Royal Dutch Shell já estão trabalhando com os chineses e várias outras empresas internacionais estão buscando oportunidades de xisto no país. Os chineses também estão trabalhando sozinhos em alguns projetos.

“A China provavelmente conseguirá crescer rapidamente, por causa da propriedade única dos recursos”, disse Bob Fryklund, vice-presidente para exploração global e analista de produção da IHS Cera, uma consultoria de energia.

Fryklund disse que ainda é cedo para saber quão grande a produção mundial de petróleo de xisto se tornará. Mas ele notou que outras companhias de petróleo já levam o potencial a sério o suficiente para investir bilhões de dólares em projetos iniciais de exploração.

“Petróleo betuminoso é a nova revolução na produção de petróleo, não apenas nos Estados Unidos”, disse Fryklund. “É mundial.”

Fonte: The New York Times, 06/07/11. Disponível em http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2011/07/06/argentina-nutre-altas-esperancas-por-descoberta-de-petroleo-de-xisto.jhtm. Acesso em 08/07/2011. Tradução: George El Khouri Andolfato

 
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