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Argentina
Presos na Argentina recebem aulas de meditação

Presidiários da Província de Buenos Aires estão recebendo aulas semanais de meditação, informou nesta segunda-feira o Serviço Penitenciário Bonaerense (SPB).

Nas aulas, os presos aprendem técnicas de autoajuda segundo o método desenvolvido pela professora espiritual australiana Isha Judd, que ensina os presos a repetir, de olhos fechados, frases como "promova o amor, em sua perfeição".

O programa teve início em julho, mas só agora a informação foi divulgada. A Província possui mais de 26 mil presos em 55 penitenciárias. No total, 360 detidos em 13 presídios já estão praticando a técnica, segundo o SPB.

O exemplo também está sendo seguido em presídios no Uruguai e no Chile, segundo disse à BBC Brasil um "mestre" do sistema Isha, o peruano Alejandro Rodríguez. Ele é o responsável pela instrução do método nas prisões de Buenos Aires.

"Com essa experiência, os presos se sentem mais tranquilos. Já não brigam com os companheiros, não se incomodam tanto em conviver com outros presos e não têm as reações de antes. Se sentem mais descansados e ficam menos agressivos", disse Rodríguez.

Ele explicou que o método Isha ajuda as pessoas a assimilar a "consciência do presente". "Não é controle mental, mas uma técnica de autoajuda, na qual os pensamentos fluem. O presente é vivo. A técnica Isha gera a paz interior e espiritualidade dentro de cada um", disse o peruano, que integra a Fundação Isha Educando para a Paz.

Rodríguez explicou que a frase repetida pelos presos não é um mantra, já que este, segundo ele, deixa a mente em branco e não seria esse o objetivo. "É uma técnica que não está relacionada com a religião ou a ioga. É um sistema próprio que está na América Latina há 11 anos."

ABRINDO O CORAÇÃO

Nas prisões de Buenos Aires, cada grupo possui no máximo quarenta presos. As aulas duram duas horas, uma vez por semana. Os presos praticam técnicas e ensinamentos aprendidos, para, na aula seguinte, relatar ao grupo, liderado pelo instrutor, os efeitos que sentiram e os dramas que enfrentam.

"Percebemos que eles estão abrindo o coração. Eles falam de seus medos, de suas preocupações. A prática os ajuda na contenção emocional", afirmou Rodríguez.

O diretor do SPB, Javier Mendoza, disse ao jornal La Nación que percebeu que os presos "melhoraram muito seu comportamento" depois que iniciaram o exercício mental.

"Tomara que mais presos se interessem e se inscrevam nesse curso. A violência nas cadeias onde o curso é realizado diminuiu muito. Este sistema reduz a ansiedade e a depressão dos presos e os ajuda na readaptação, ampliando a segurança nos presídios", afirmou Mendoza.

Fonte: Folha de SP - Acesso em 20/10/2010

 
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