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Am. Central e Caribe
Iniciativa de reconstrução no Haiti nasceu no 11 de setembro

Apenas quatro dias depois do 11 de setembro, James Stuckey, então vice-presidente da Forest City Ratner Cos., encontrou-se com executivos da Empire Blue Cross-Blue Shield na sede da Forest City no Brooklyn. A Empire era o quarto maior inquilino do World Trade Center, e os executivos traumatizados já pensavam em novos escritórios.

Stuckey prometeu a eles um prédio em 18 meses, muito embora “eles não tivessem nenhum plano para os andares, e não soubessem quem sentaria próximo a quem, nem mesmo onde estava a maior parte da equipe”, disse ele.

“Depois de um aperto de mãos, nós começamos a fazer a fundação”, disse Stuckey, que em 2009 foi nomeado reitor do Instituto Schack de Negócios Imobiliários na Universidade de Nova York. Logo que assumiu o cargo, ele disse que começou a pensar em como poderia ensinar aos alunos as lições que ele aprendeu depois do 11 de setembro.

O resultado foi um curso de reconstrução pós-catástrofe, agora no segundo semestre, em que os estudantes fazem planos de construção, trabalham em questões ambientais e sociais, e criam modelos de financiamento para projetos do mundo real.

O terremoto devastador que atingiu o Haiti em 12 de janeiro de 2010 forneceu uma oportunidade para colocar a teoria de Stuckey em prática. Desde o outono passado, os alunos do Instituto Schack começaram a ajudar em três projetos de desenvolvimento no país.

“A magnitude da catástrofe no Haiti é inimaginável”, disse Stuckey. “Naquele terremoto de 30 segundos, mais pessoas morreram do que em toda a área impactada pelo tsunami no sul da Ásia. Sua pobreza esmagadora, sua proximidade aos Estados Unidos e nossa capacidade de nos reerguermos transformaram o Haiti num lugar perfeito para o nosso trabalho.”

A reconstrução pós-catástrofe – que Stuckey define como o período que vai desde a segunda semana até o quinto ano após o desastre – é um campo emergente nos círculos de desenvolvimento, e ganhou ímpeto depois do tsunami que abalou a Indonésia em 2004. Enquanto muitas organizações se concentram na preparação para os desastres e nos esforços humanitários que surgem imediatamente após o acontecimento, “há um vazio que ocorre no período entre um e outro”, disse Stuckey. “Depois que a ajuda humanitária acaba, como você faz a transição para o estágio de reconstrução?”

O primeiro projeto no Haiti é em Delmas 32, um bairro de um quilômetro quadrado na capital do país, Porto Príncipe, onde 120 mil pessoas moravam antes do terremoto. Em comparação, a cidade de Nova York tem 27 mil habitantes por quilômetro quadrado, diz T. Luke Young, urbanista e consultor que trabalha no projeto. Aproximadamente 1.500 dos 5 mil prédios foram destruídos em Delmas 32, que não tem eletricidade nem água e esgoto encanados, e outros 2 mil tiveram suas estruturas danificadas.

Com a ajuda de uma bolsa de US$ 30 milhões do Banco Mundial, um plano de reconstrução está em andamento, e os alunos da Universidade de Nova York estão ajudando a analisar a infraestrutura, as necessidades de transporte e moradia e os padrões sociais, e estão pensando em formas para determinar a propriedade da terra.

“A NYU tem ajudado muito”, disse Young. Um aluno, por exemplo, estudou o gerenciamento e o tratamento da água em Delmas 32 e está testando uma unidade modelo para capturar e tratar a água da chuva, diz ele.

Um segundo projeto é o Centro de Reconstrução em Porto Príncipe. Sob a direção da organização Arquitetura para a Humanidade, o centro fornece treinamento profissional, educação e outros serviços, e conecta os profissionais haitianos com organizações não-governamentais.

Os alunos da Universidade de Nova York estão trabalhando para apoiar os serviços do Centro de Reconstrução, planejando estruturas e modelos financeiros e outras formas de financiar os negócios na esperança de que o centro “se torne o centro de desenvolvimento econômico do Haiti em Porto Príncipe”, disse Stuckey, que foi diretor da New York City Public Development Corp., hoje chamada de New York City Economic Development Corp., durante a administração do prefeito Edward Koch.

O terceiro projeto é um esforço conjunto do Instituto Schack, da Arquitetura para a Humanidade e da Habitat para a Humanidade. Chamado Polo Norte, ele consiste na reconstrução de cerca de 16 mil acres ao norte da capital.

Antes de o terremoto atingir o país, cerca de 10 mil a 12 mil ocupantes ilegais estavam na terra, mas depois da catástrofe e do anúncio de que o governo estava reconstruindo a área, as pessoas invadiram o local. Hoje há 50 mil ocupantes, diz Elizabeth Blake, vice-presidente sênior de assuntos governamentais, política e direito geral da Habitat para a Humanidade Internacional.

“Se não fizermos alguma coisa, se não envolvermos empreendedores comerciais, colocarmos a infraestrutura para funcionar e resolvermos os direitos sobre a terra, haverá uma favela no local de qualquer forma”, disse ela.

Como um exemplo das iniciativas práticas de desenvolvimento e planejamento, poucas semanas depois da catástrofe no Haiti, um terremoto de magnitude 8,8 atingiu o Chile, durando três minutos. Embora tenha sido muito mais grave e tenha durado mais tempo do que o terremoto no Haiti, o do Chile matou cerca de 500 pessoas em comparação com os 316 mil mortos no Haiti. Especialistas atribuíram essa diferença em parte à qualidade superior das construções no Chile.

Um tema central no Polo Norte, assim como em Delmas 32 e em outros projetos de desenvolvimento no país, é a propriedade da terra. Apenas 5% da terra no Haiti tem documentação que prova quem é o dono, diz Stuckey. Há muito tempo, o padrão no Haiti é de que, quando o governo muda de mãos – o que acontece com frequência, por conta do histórico de agitação política do país –, a terra costuma ser redistribuída à força.

“Nós não queremos construir um abrigo que custará US$ 5 mil para uma família que não é dona da terra”, disse Blake. “Aprendemos do jeito mais difícil que, depois que o abrigo é construído, chega outra pessoa dizendo que é dona da terra e expulsa a família, e então o dinheiro do doador será gasto com outra família, e aquela que passava necessidade continuará desabrigada”. Cerca de 40% da população do mundo está sujeita a ser expulsa de sua casa por causa da falta de documentação de propriedade, disse Blake. No Haiti, este número está próximo de 70%.

O trabalho que Stuckey e seus alunos estão fazendo é importante, disse Blake. “Eles têm um currículo longo e uma experiência enorme em lidar com empreendimentos comerciais e com o setor privado, e isso é essencial para fazer com que esses projetos avancem”, disse ela.

Para documentar o trabalho no Haiti, Stuckey convidou o diretor de cinema Frederic King, que já fez quatro viagens ao Haiti e está produzindo um documentário educativo de uma hora. Stuckey também está estabelecendo a base para o que ele acredita que será um centro de reconstrução pós-catástrofe em Schack, unindo dois outros centros do instituto, um que estuda as organizações de investimentos imobiliários e outro que observa questões ambientais. Ele diz que está concluindo um plano de negócios para o centro e que iniciou conversas informais com possíveis doadores.

Stuckey disse que um dos objetivos finais é criar um modelo de reconstrução que possa ser escalonado de acordo com a necessidade, talvez na forma de um manual de campo “que nos permita ver o que está acontecendo em cada região do mundo e criar as melhores práticas para que, da próxima vez que acontecer uma catástrofe, possamos reconstruir sem ter de começar do zero”, disse ele.

“Quando cheguei em Schack, poderia ter ensinado meus alunos a construir condomínios na cidade de Nova York, mas ser um profissional desse setor significa construir para toda a sociedade, e as situações de crise são o momento em que podemos ter o maior impacto sociológico.”

Tradução: Eloise De Vylder

Fonte: The New York Times, 14/03/2011.

 
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