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Turismo
Berço das Américas

Por Ana Paula Brasil | Valor Econômico - 09/03/2012
Dreamstime  
A Fortaleza Ozama marca o ponto de partida dos espanhóis para a conquista de outros países

Santo Domingo é a cidade mais antiga das Américas. Foi fundada em 1498, seis anos depois da chegada dos europeus, liderados pelo navegador Cristóvão Colombo. O genovês, a serviço do rei da Espanha, procurava um caminho marítimo para a Índia, de onde a Europa comprava especiarias imprescindíveis para a culinária e para a produção de óleos, cosméticos, incensos e medicamentos da época.

A esquadra de Colombo, formada pelas caravelas Santa Maria, Pinta e Niña, ancorou primeiro em uma ilha das Bahamas – não há um consenso sobre em qual delas teria sido. Em seguida, navegando rumo ao sul, Colombo encontrou uma ilha que chamou de “Hispaniola”. Ela corresponde hoje a dois países: a leste, o Haiti, onde Colombo esteve depois das Bahamas; e a oeste, a República Dominicana, onde desembarcou suas caravelas.

A capital dominicana, Santo Domingo, tem um belo centro colonial, patrimônio da Unesco. Vale ser visitado a pé. Nem tudo está preservado, mas você vai gostar de conhecer as primeiras igrejas, ruas, universidades, as ruínas do primeiro hospital... Uma dica é começar pela construção mais imponente: a Catedral de Santa Maria la Menor. Considerada a primeira das Américas, foi a base para disseminação do cristianismo no continente. Diego Colombo, filho do descobridor, assentou a pedra fundamental da igreja em 1514, mas a construção só engrenou em 1521, com a chegada do primeiro bispo. A igreja foi concluída em 1541 e tem 14 capelas laterais, misturando estilos arquitetônicos.

Em 1586, o pirata inglês Francis Drake invadiu Santo Domingo. Ele destruiu parte do campanário da catedral – usada como quartel – e se apossou do que havia de valor em seu interior. Ao todo, passou um mês na cidade, pilhando tudo o que podia, até encher 20 navios e voltar para a Europa.

Em frente à igreja está o Parque Colón, onde há uma estátua de Cristóvão Colombo e, junto a ela, a Calle (rua) El Conde. É um vaivém de zona colonial. O lugar merece uma pausa para um café, observando o movimento, antes de explorar o comércio. Charutos, roupas, artesanato...  Não se deixe distrair por pequenos museus que vão aparecer no caminho, como o “Museu do Âmbar” e o “Museu Larimar”. São, na verdade, lojas com uma modesta galeria de fotos, para atrair os turistas. Não vale a visita, a não ser que você queira comprar joias feitas de âmbar, resina vegetal fossilizada, ou de larimar, uma pedra rara que só existe na República Dominicana. Todas são bem caras.

Atrás da catedral está a Calle de las Damas (rua das Damas), a primeira a ser aberta quando a cidade foi transferida da margem leste do Rio Ozama. As vias que existiam até então foram desfeitas e esta passou a ostentar o título de a mais antiga rua das Américas. Ganhou esse nome por causa das senhoras que costumavam atravessá-la, saindo da igreja, para visitar a primeira-dama Maria de Toledo, mulher de Diego Colombo, governador da ilha em dois períodos (1509-1515 e 1520-1523).

Na Calle de las Damas está a Fortaleza Ozama, ponto de partida dos espanhóis para a conquista de outros países. A construção também servia para proteger a cidade e seu único prédio aberto ao público é a torre que funcionava como prisão. De cima dela, se tem uma boa visão da zona colonial.

Também nesta rua está a casa Francia, construída em 1503. Dizem que o explorador espanhol Hernán Cortez morou lá, onde teria concebido o plano de conquista do México. Atualmente, a casa abriga a divisão cultural da Embaixada da França, que eventualmente promove exposições e permite visitações.

Ainda na série “primeiros”, caminhando pelo centro histórico, você vai passar pelas ruínas do primeiro hospital das Américas, na Calle Hostos. Foi erguido em 1503 e desativado em 1911, depois de ser sucessivamente destruído por invasões e furacões. Na mesma rua está a primeira universidade das Américas: o Convento de los Dominicanos. Fundado também em 1503, realizava estudos teológicos e assim ganhou o status de “universidade”. O prédio é bem preservado e aberto ao público em missas diárias.

Atravessando a Calle de las Damas, chega-se à Plaza España, onde está o Alcazar Colón, a casa que foi usada pela família de Cristóvão Colombo por três gerações. O museu reúne mobiliário do século XVI e faz o visitante viajar no tempo. Saindo do Alcazár, há uma pequena rua chamada Las Atarazanas, onde ficavam as antigas docas. As velhas tabernas, que atendiam os marinheiros e piratas, hoje recebem os turistas. Nesta rua está também o Museu de las Atarazanas, onde se podem ver objetos retirados de navios do século XVI.

A Plaza de España abriga um dos conjuntos arquitetônicos mais bonitos de Santo Domingo e é onde estão alguns dos melhores restaurantes da cidade.

Quem não quiser caminhar tem uma opção: numa das esquinas do Parque Colón (rua El Conde com rua Isabel la Católica) fica a estação do “Chu Chu Colonial”, um simpático trenzinho que faz um tour pelo centro. O passeio se propõe a contar “500 anos de História em 45 minutos” e a saída é de hora em hora, das 9h às 17h, todos os dias da semana. Os ingressos custam US$ 12, para adultos, e US$ 7, para crianças. A apresentação é em espanhol, inglês, francês, italiano e russo, dependendo dos passageiros do trem.

Mesmo depois de sua morte, em 1506, na Espanha, Colombo seguiu atravessando os mares. Hoje não se tem certeza de onde ele está enterrado. República Dominicana, Cuba, Espanha e Itália, em diferentes momentos, afirmaram – ou ainda afirmam – ter restos mortais do navegador. O descobridor das Américas, que morreu acreditando que havia chegado à Índia, foi enterrado inicialmente em Valladolid, Espanha. Em 1542, por ordem de seu filho, Diego, os restos mortais foram transferidos para a República Dominicana e colocados, provavelmente, em uma das capelas da Catedral Santa Maria la Menor, em Santo Domingo.

No século XVIII, durante o período de administração francesa na Ilha Hispaniola, acreditou-se que os restos mortais de Colombo haviam sido transladados para Havana (Cuba) e, após a independência daquele país, retornado novamente para a Espanha, para a Catedral de Sevilha. Em 1877, começa o mistério que permanece até hoje. Uma urna de chumbo foi encontrada nas catacumbas da Catedral de Santo Domingo com uma inscrição referente a Cristóvão Colombo. Dentro havia fragmentos de ossos que permaneceram na igreja até 1992, quando foram transferidos para o “Faro a Colón” (Farol de Colombo), monumento construído para a comemoração dos 500 anos do descobrimento.

Os historiadores trabalham com várias hipóteses, inclusive com a de que os restos mortais tenham sido divididos em uma das muitas viagens e disputas políticas pelo título de última morada do navegador. Os fragmentos existentes na Catedral de Sevilha passaram por um exame de DNA e foi constatado que são geneticamente semelhantes aos dos irmãos de Colombo – portanto, muito provavelmente, verdadeiros. Na República Dominicana, o governo não permitiu a abertura do túmulo localizado no gigantesco monumento que custou milhões de dólares. O Farol de Colombo é um “elefante branco”. O acervo é pífio, com destaque apenas para a âncora original da Santa Maria, caravela que trouxe o descobridor para a América.

 
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