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Relações Internacionais
Os marines contra as drogas

Mac Margolis - O Estado de S.Paulo - 16/09/2012

A guerra latino-americana contra as drogas acaba de ficar mais quente. Desde o fim de agosto, uma leva de fuzileiros navais dos EUA está na Guatemala para ajudar no combate aos traficantes, que converteram o país centro-americano em um antro de crimes e violência.

 

Apesar do nome belicoso, a Operação Martelo está limitada a oferecer apoio logístico às tropas locais. São 4 helicópteros e 200 soldados para monitorar terra, mar e o espaço aéreo do litoral guatemalteco, vias onde a bandidagem transita desimpedida.

Sem dúvida, algo precisava ser feito. Com os cartéis mexicanos em expansão, o crime tomou conta de nacos importantes do istmo, corredor expresso de 90% das 700 toneladas de cocaína sul-americana rumo à América do Norte.

No caminho, converteram Honduras, El Salvador e Guatemala em campeões de violência. Honras para Honduras, que, em 2010, teve 82 homicídios por 100 mil habitantes, seguida por El Salvador (66) e Venezuela (65). Em quarto, a Guatemala (41 homicídios por cada 100 mil) virou "paraíso de criminosos", conforme relatório do International Crisis Group. "Autoridades locais são corrompidas. Partes do território nacional estão fora de controle", segundo o comando militar dos EUA.

Palavras como essas provocam arrepios. Nos EUA, ao tempero ardente da campanha presidencial, a direita republicana acusa o presidente Barack Obama de rasgar a Constituição ao enviar tropas sem a devida aprovação do Senado. O argumento é curioso para a oposição americana, que acusa o presidente de frouxo em política externa.

Os defensores dos direitos humanos lembram o passado polêmico da intervenção americana na América Central, a começar com o golpe de 1954 contra o presidente da Guatemala, Jacobo Arbenz, com um dedo da CIA. O golpe plantou a semente da longa guerra civil. Os militares americanos se retiraram em 1978, mas o confronto durou 36 anos e deixou 200 mil mortos.

A barulheira política e a desconfiança com as segundas intenções gringas fazem parte do enredo das Américas. Bem mais preocupante é a falta de clareza sobre a real política de Washington. A Operação Martelo sinaliza uma mudança de estratégia ou é mais um improviso do império?

Há dúvidas. Os países mais flagelados pelo narcotráfico já repensam a fracassada guerra às drogas, até com propostas de descriminalizá-las. Os EUA desconversam. Em sua visita à região, no início do ano, o vice-presidente Joe Biden ouviu a mensagem de vários governantes, distribuiu sorrisos e juras de amizade.

A Operação Martelo poderia ser uma resposta, mas para que tenha relevância, ela terá de fazer parte de uma estratégia maior, com metas, meios e fins delineados. Com a convulsão no Oriente Médio, a crise na Europa e a eleição americana, é pouco provável que América Latina ocupe um espaço importante na agenda de Washington. Não seria a primeira vez que o déficit de atenção define a diplomacia na região e não são 200 marines que mudarão esse fato. Melhor para o narcotráfico.    

É COLUNISTA DO ESTADO, CORRESPONDENTE DA NEWSWEEK E EDITA O SITE BRAZILINFOCUS.COM

 
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