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Mineiros protestam contra censura a cartas

SANTIAGO - Ao começar o segundo mês presos em um túnel a 688 metros de profundidade, os 33 mineiros isolados no Chile começam a se rebelar contra as restrições impostas pelo governo. Parentes disseram que, durante videoconferência realizada no fim de semana, os homens protestaram contra o fato de que as autoridades censuram a correspondência e restringem as informações que chegam a eles.

Funcionários do governo presentes no local do resgate dizem aos parentes dos mineiros que só serão entregues cartas com mensagens positivas. Mas os encarregados do resgate também prometeram mais agilidade no serviço postal e a criação de um registro central para as cartas enviadas e recebidas.

Os parentes disseram que os mineiros estão descontentes por não ter recebido muitas cartas que as famílias disseram ter enviado. No sábado, Luis Urzúa, líder do grupo, disse aos encarregados da operação de resgate que a impossibilidade de receber as cartas era um dos principais focos de insatisfação entre o grupo aprisionado.

Os mineiros demonstraram independência cada vez maior nos últimos dias. Rejeitaram um carregamentos de pêssegos e continuam a pilotar seus veículos pelos túneis da mina, apesar de terem recebido ordens explícitas para não fazê-lo. Têm também se mostrado cada vez mais exigentes em sua demanda por vinho e cigarros.

Funcionários da Nasa, agência espacial americana, que foram ao Chile para ajudar os mineiros, disseram que o comportamento não é incomum. No fim de semana, em reunião com os líderes do resgate, consultores da Nasa contaram que, durante uma missão espacial, os astronautas rejeitaram um contato com a base de controle e simplesmente desligaram o sistema de comunicações. "Após seis semanas, os efeitos do confinamento começam a ser mais sentidos. Aquilo que antes era distração - como as piadas de um colega, por exemplo - logo se torna irritante e cansativo", disse Nick Kanas, psiquiatra da Nasa.

Apesar das preocupações com a censura da comunicação escrita, muitas famílias ficaram animadas com um novo sistema de vídeo, possível graças à fibra ótica. "Você viu o papai, viu o papai?", disse à filha Veronica Quispe, de 20 anos, mulher do boliviano Carlos Mamani, único estrangeiro entre os aprisionados.

Carolina Lobos, de 26 anos, filha de Franklin Lobos, ex-jogador de futebol que se tornou mineiro e agora está preso na mina, disse que o pai aparentava estar bem. "Dissemos a ele que, quando sair, faremos uma imensa festa para recebê-lo", afirmou Carolina. A irmã dela, Claudia Lobos, de 20 anos, disse: "Tentei ser forte, mas chorei assim que o vi. Ficamos tão felizes que nem deixamos ele falar." / THE GUARDIAN

Fonte: OESP - Acesso em 08/09/2010

 
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